Sonia Maria Petitto Ramos, José Aires de Castro Filho, Alisandra Cavalcante Fernandes
http://sbie2008.virtual.ufc.
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MECANISMOS DE INTERAÇÃO: a angústia da geração always on-line em permanecer conectada
SÔNIA
PETITTO*
RESUMO
Esta pesquisa se
propôs a uma investigação acerca dos mecanismos de interação das redes remotas de
gestão do conhecimento, com reflexões focadas no uso educacional. Observou-se o
comportamento das comunidades virtuais always
on-line - mecanismos proporcionados pelo computador e a Internet - blogs, webfólios, web quests,
educação à distância, videologs, além
de outro recurso de comunicação de massa, como o celular, inseridos no âmbito
do cotidiano escolar, profissional e privado das pessoas. Vários aspectos
cognitivos, tanto de aprendizagem quanto da necessidade angustiante de se
manterem conectados, nos oferecem possibilidades de observarmos aspectos que
podem facilitar a aquisição de habilidades e desenvolvimento de competências. Nesta
pesquisa foram investigados tais pontos, tanto com relação ao desempenho das
atividades pelos alunos, quanto em situações que exijam deles um conhecimento autodidata.
Palavras-chave: mecanismos de
interação; redes do saber; comunidades virtuais de aprendizagem
ABSTRACT
This research considered an inquiry concerning about mechanisms of
interaction of knowledge management’s net, from the utilization of Technologies
Information and Communication with
reflections in the educational use. The behavior of the virtual communities was
observed - proportionate mechanisms for the computer and the Internet - blogs,
webfólios, web quests, long-distance education, videologs, beyond other
resources of this media of mass, like cellars, inserted in the scope it daily
pertaining to school, private professional and them people. Some cognitive
aspects, as much of learning how much of the overwhelming necessity of if
keeping connected in the acquisition of abilities and development of competence
offer possibilities to observe that related aspects. In this research was
investigated such points, as much with regard to the performance of the
activities for the pupils, how much in situations that demand of it a
self-taught knowledge.
Word-key: interaction mechanisms; nets of
knowing; virtual communities of learning
1. INTRODUÇÃO
Século XXI – uma era onde o tempo é medido em milionésimos de segundos e onde a informação se propaga em megabytes por segundo, deparamo-nos com sujeitos
de uma sociedade imediatista, que buscam em redes de comunicação se manterem conectados,
ativos; para quem, estarem desinformados – principalmente sobre o que está
acontecendo com a sua comunidade - é um
pesadelo angustiante. Esta é a geração always
on-line.
Percebe-se que
o volume de informações coloca o sujeito a mercê de situações que exigem de sua
memória
cognoscível1
mais do que ela pode oferecer, e o coloca num enfrentamento com a lógica
heurística2 a
todo momento, por conta de dados estatísticos, economia globalizada, confrontos
entre países que circulam nas redes de comunicação de massa, à nossa
disposição, prontos para serem ´deglutidos`. Tais metáforas3
podem parecer exageradas, mas no âmbito da sociedade imediática, onde vive o Homem Virtual (PETITTO, 2003), pode-se
considerá-las até redundantes.
Porém, todas as pessoas possuem capacidade cognitiva
de transformar informação em conhecimento com autonomia? Como se pode estimular
o aprimoramento de uma lógica heurística, aonde conjuntos de regras e métodos
conduzem à descoberta, à invenção e à resolução de problemas e de procedimentos
pedagógico pelo qual se leva o sujeito a descobrir por si mesmo a verdade que
lhe querem inculcar? De que forma as redes do saber e as
comunidades virtuais podem levar o homem a uma busca não-linear do conhecimento
de forma organizada (PETITTO, 2009)?
Enfim, quais seriam os mecanismos de aprendizagem que facilitariam esses
processos, da aprendizagem com autonomia, do aprender a aprender, aonde o
autodidata conduz sua aprendizagem a partir de objetos do mundo exterior à sua
mente?
2. DESENVOLVIMENTO
Buscou-se,
nesta pesquisa, avaliar mecanismos de aprendizagem, proporcionados pelo
computador e a Internet - blogs, webfólios, web quests, educação à distância, videologs, além de outros recursos desse meio de comunicação de
massa, inseridos no âmbito do cotidiano escolar, profissional e privado das
pessoas. O objetivo foi refletir sobre como a escola pode preparar o sujeito
para uma busca mais crítica, na manipulação da informação não-linear oferecida
por esses mecanismos de aprendizagem e a consolidação do conhecimento.
Foi
realizada uma pesquisa bibliográfica, em
literatura tornada pública, publicações em sites
da Internet com relação ao tema em reflexão, além de outros livros - citados no
referencial.
No
ambiente escolar, a partir de uma adequada gestão do conhecimento nessa situação de ensino-aprendizagem,
utilizando o computador, os múltiplos recursos da telemática (CASTELLS, 1999; LÉVY, 1996, 1998) e os meios de
comunicação de massa em geral, o papel do educador passa a ser o de
coordenador, facilitador e mediador, favorecendo a construção cooperativa de
conhecimento. Não adianta ter Internet na escola se os educadores não tiverem
formação e motivação para utilizá-la. É preciso seguir uma metodologia,
identificar situações, ter objetivos claros que vão além do uso estrito de uma
tecnologia de informação e comunicação (DERTOUZOS, 1998; PETITTO, 2003;
VALENTE, 1993).
Segundo Wurman, autor
de um livro com título sugestivo de “Ansiedade de informação”, as pessoas ficam
angustiadas porque querem saber sobre tudo ao mesmo tempo, através da Internet
ou do celular, para estarem sempre informadas, quer seja sobre as notícias do
mundo, quer seja sobre os integrantes da sua comunidade.
A
ansiedade por informação é causada pelo sempre crescente abismo entre o que
compreendemos e o que achamos que deveríamos compreender. É o buraco negro que
existe entre os dados disponíveis e o conhecimento. É preciso escapar dela. (WURMAN,
1999)
Não devemos deixar que a ansiedade
assuma proporções dolorosas para aqueles que precisam dela. Nessa linha de
raciocínio temos que o professor precisa assumir também a função de incorporar
e (re)significar - no contexto do ensino - conhecimentos que venham de
diferentes fontes externas à escola e,
para que seus alunos saibam
administrar seu tempo e organizar a informação (MOREIRA, 1982; PERRENOUD, 2000;
SÁ-CHAVES, 2000). Além de especialista em determinada área do conhecimento ele
terá que desenvolver habilidades para identificar as relações de sua
especialidade com outras áreas de conhecimento.
O
conhecimento, na relação ensino-aprendizagem, deve ser entendido como um
processo a ser construído, sendo que no ambiente escolar o conhecimento prévio
do aluno precisa ser levado em conta, possibilitando ligar o novo saber a ser
aprendido ao anterior, propiciando a incorporação deste novo conhecimento à
estrutura de aprendizagem do aluno, tornando-a mais duradoura (MOREIRA, 1982).
Desde
idos de 1930/1940 - a navegação a partir de hipertextos – uma navegação não
linear começou a ser difundida por redes de comunicação com o objetivo primeiro
de compartilhar informações entre cientistas de várias universidades. Pierre Lévy descreve esse tipo
de compartilhamento de informação como uma Inteligência Coletiva (LÉVY, 1998 e
1996), que é o conceito de uma nova inteligência, gerada a partir de
comunidades virtuais, que se conectam com um objetivo comum de pesquisar e
disseminar a informação.
Dertouzos (1998) define um novo modelo, simples e claro,
do que seja esta nova era, onde as pessoas podem comprar,
vender e trocar livremente informações e serviços informáticos de “Mercado de Informação”. Tal definição “revelou-se um modelo
simples e claro, abrangendo todas as atividades que podemos esperar ou imaginar
no novo universo da informação”. Segundo
ele, há muita confusão a respeito do que seja a “Era da Informação”, tanto no
plano físico quanto no funcional. “O modelo do Mercado de Informação é uma maneira
mais clara de entender as duas coisas”. Segundo Dertouzos, é necessário, para
todos, terem alguém com quem conversar, com quem compartilhar conhecimentos e
descobertas. A rede de comunicação facilita
esse contato, possibilita o uso da linguagem escrita e o aumento do número de
comunicações, principalmente entre os adolescentes. Angustiante é não estar
conectado, quer seja através da Internet ou pelo celular.
Conforme o exposto pode-se vislumbrar
possibilidades de utilização de mecanismos de navegação em redes do saber,
participação em comunidades virtuais - numa busca não-linear do conhecimento (PETITTO,
2009). Além de plataformas de educação à distância, atividades síncronas e
assíncronas4 no contexto de seus cursos, tendo como
aporte: a cultura regional, a capacidade cognitiva do sujeito, o tempo/espaço -
de forma não linear, articulando auto-aprendizagem, o
saber comunitário, as vivências de cada um, com diferentes formas de mediação
entre agentes facilitadores e os alunos, num processo dinâmico de mostra
permanente de produções nos blogs, webfólios, videologs, e
outros espaços de compartilhamento de informação. Através
de Mapas Conceituais – utilizando o software
IHMC CmapTools** – pode-se visualizar
como funcionam esses mecanismos de interação em relação à capacidade cognitiva
da geração always on-line (fig. 1). Literatura
sobre Knowing What students know (PELLEGRINO & GLASER) e How people learn ***
- oferecem informações para esse tipo de reflexão.
|
3. CONCLUSÃO
De
que forma as redes do saber e as comunidades virtuais podem levar o homem a uma
busca racional do conhecimento? Enfim, quais seriam os mecanismos de
aprendizagem que facilitariam esses processos: da aprendizagem com autonomia,
do aprender a aprender, quando o autodidata conduz sua aprendizagem a partir de
objetos do mundo exterior à sua ferramenta cognitiva (MOREIRA, 1999)? O que
pode minimizar a angústia de saber que não se está de posse de todas as
informações? Como a geração always on-line
pode melhorar a qualidade do contato com sua comunidade?
Inúmeras
são as ferramentas que nos são oferecidas pelas redes de comunicação, mas o
importante é a determinação de necessidades e objetivos: a Gestão do Conhecimento. Definição de metas, objetivos,
planejamento estratégico, monitoramento do ambiente - que facilitam o
gerenciamento das informações que façam conexão e colaborem na aquisição do
conhecimento.
4. REFERÊNCIAS
DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir.
Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século
XXI. 3. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF, MEC: UNESCO, 1999.
DERTOUZOS, M. O que será: como o novo mundo da
informação transformará nossas vidas?.
São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
LÉVY, P. O
que é o virtual?. São Paulo: 34, 1996.
______. A inteligência coletiva: por uma
antropologia do ciberespaço. São Paulo, Loyola, 1998.
MOREIRA, A. F.; MASINI, E. Aprendizagem significativa: a teoria
de David Ausubel. São Paulo: Moraes, 1982.
MOREIRA, M. A. Teorias de aprendizagem. São Paulo:
EPU, 1999.
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do
futuro. 6. ed. Porto Alegre: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2002.
PERRENOUD, P. Pedagogia diferenciada: das intenções à ação. Porto Alegre: Artmed,
2000.
PETITTO, S. Projetos de trabalho em informática: desenvolvendo competências.
Campinas – SP: Papirus, 2003.
PETITTO, Sonia; CASTRO FILHO, José Aires de;
FERNANDES, Alisandra Cavalcante. Interligando Mundos: comunidades questionadoras e aprendentes: uso de recursos das WebQuests
na construção de significados. SBIE/2008. http://www.portalwebquest.net/pdfs/mundos.pdf.
____________. Aprendizagem não-linear: uma
educação baseada em situações do cotidiano das empresas. XII Simpósio de Ciências
Aplicadas da FAEF. Garça-SP: Anais do Simpósio, 2009.
SÁ-CHAVES,
I. Formação, conhecimento e supervisão:
contributos nas áreas da formação de professores e de outros profissionais.
Aveiro: Universidade, 2000.
VALENTE, J. A. (Org.) Computadores e conhecimento: repensando a educação. Campinas, SP: UNICAMP,
1993.
WURMAN, Richard Saul. Ansiedade de informação. 2. ed. São Paulo: Cultura, 1999.
*
Mestre em Educação pela UNESP de Marília,
especialista em
Informática Aplicada à Educação e Gerência de Projetos,
docente do Grupo FAEF/FAIP desde 2002, ministrando aulas nos Cursos de
Pedagogia, Administração, Turismo, Ciências Contábeis e Comércio Exterior; Responsável
pelo Núcleo de Extensão e Ação Comunitária da FAIP – NEACO e Prof.a Orientadora
da FAIP JUNIOR; coordena cursos de pós-graduação pela Fundação para o Desenvolvimento do Ensino,
Pesquisa e Extensão – FUNDEPE;
responsável pelas atividades de
mídias interativas do Colégio Criativo – Marília – SP e Prof.a efetiva
da disciplina de Matemática na EE Maria Cecília Ferraz de Freitas, DE Marília –
SP.
1 Cognoscível –
que se pode conhecer; conhecível; cognitivo, cognição – aquisição de um
conhecimento.
2 Heurística – conjunto de
regras e métodos que conduzem à descoberta, à invenção e à resolução de problemas;
procedimento pedagógico pelo qual se leva o aluno a descobrir por si mesmo a
verdade que lhe querem inculcar.
3 Metáfora – emprego
de palavra ou expressão em sentido figurado, que consiste na transferência de
uma palavra para o âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e
que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido
próprio e o figurado.
4 atividades síncronas – onde existe uma interação imediata entre
pessoas através do computador - (skype, MSN, chats, videoconferências,
audioconferências) e assíncronas –
atividades que podem ser realizadas a qualquer momento, independente do
interlocutor estar on line.(e-mail, fórum
de discussão, Orkut, Twitter, fotolog, youtube, videologs, blogs, sites
pessoais ou empresariais, etc)
** IHMCC Cmap
Tools - http://cmap.ihmc.us/
*** http://books.nap.edu/html/howpeople1/

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